Entre os dias 16 e 20 de maio de 2011, a Praça Ataliba Leonel ganhou um movimento diferente.
Durante cinco dias, das 9h às 18h, a Família Pipa esteve presente na parte recém-reformada da praça, levando uma proposta que, à primeira vista, poderia parecer simples: entregar poesias gratuitamente aos moradores da cidade.
Nascia ali o primeiro Projeto Varal da Poesia.
A iniciativa colocou a poesia no meio da cidade, ao alcance de quem passasse pela praça. Não era preciso comprar um livro, participar de um evento ou procurar um espaço específico. Bastava passar por ali para receber uma poesia e levar consigo algumas palavras.
Ao final dos cinco dias, foram entregues 1.395 poesias.
O projeto, porém, também encontrou dificuldades. Segundo o registro feito pela própria Família Pipa na época, houve uma tentativa de intervenção de um suposto fiscal da Prefeitura. Ainda assim, o grupo permaneceu no local, defendendo a continuidade daquela iniciativa em favor da cultura e dos munícipes.
Mais do que distribuir poemas, o Varal da Poesia representava uma maneira de ocupar os espaços da cidade com cultura.
Era a Família Pipa experimentando uma outra forma de aproximação com a comunidade. Se em outras ações o objetivo era arrecadar e distribuir alimentos, roupas, brinquedos ou doces, naquele momento o que se oferecia era diferente: palavras.
E talvez esteja justamente aí uma das lembranças mais interessantes daquele primeiro Varal da Poesia. A solidariedade também pode assumir muitas formas. Às vezes, ela chega em uma cesta básica. Outras vezes, em um brinquedo ou em um ovo de Páscoa. E, naquele maio de 2011, chegou escrita em versos.
Para que a iniciativa acontecesse, a Família Pipa contou também com o apoio de parceiros que acreditaram na proposta: o jornal O Oeste Paulista, o Educandário São José, o Serv Lar e o jornal Informe Notícias.
Foram cinco dias, 1.395 poesias e incontáveis encontros na praça.
Hoje, ao olhar para aquele primeiro Varal da Poesia, é possível enxergar mais do que uma ação realizada durante uma semana de maio. Ele representa uma época em que a Família Pipa ainda descobria, pouco a pouco, as diferentes maneiras pelas quais poderia estar presente na vida da comunidade.
E algumas dessas maneiras não precisavam de grandes estruturas.
Às vezes, bastava uma praça, algumas poesias e a vontade de compartilhá-las.
Foi assim que, durante cinco dias, a poesia ficou pendurada no varal — e também passou pelas mãos e pelos olhos de centenas de pessoas de Santo Anastácio.
Uma pequena ação que deixou registrada mais uma página na história da Família Pipa.